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Aula 1
Introdução
Este curso tem a função de ensinar técnicas de conserto que servirão para a
maioria dos aparelhos TV
existentes no mercado
As técnicas ensinadas aqui cobrem aproximadamente 90% dos aparelhos de TV que em
sua maioria têm a mesma
estrutura.
Mais tarde caso deseje aperfeiçoar seus estudos o aluno poderá fazer
o nosso curso de especialização,
para estudar alguns modelos à parte que possuem tecnologia um pouco diferente
Um aparelho de TV pode parecer muito complexo quando analisado à primeira vista
Porém devemos ter em mente que toda grande caminhada começa pelo primeiro passo
Por isso sempre que nos propomos a fazer um projeto ou analisar um problema,
primeiro
devemos dividir tudo em blocos
É justamente isso que faremos aqui
Dividiremos um aparelho de TV em seus principais blocos e nas aulas
futuras mostramos
outros sub-blocos bem como estudaremos em detalhes todos os blocos
Fonte
A fonte de alimentação é um bloco muito importante no televisor, pois alimenta
todos os
blocos do aparelho
Para identificar a fonte de um aparelho de televisão moderno basta procurar um
grande capacitor
que geralmente possui tensão de trabalho de 400V que fica próximo de um
transformador que
chamamos de chopper
Na verdade esse capacitor grande não é o capacitor de filtragem da fonte, pois
pertence ao lado primário
da fonte

Ao medirmos a tensão nos terminais desse capacitor encontramos tensões que podem
variar de 150V até 350V
dependendo da rede elétrica
A saída da fonte chaveada já estabilizada fica do outro lado do transformador e
deve ser medida nos terminais
de um capacitor de tamanho menor que geralmente tem uma tensão de trabalho de
160V
Essa fonte é chamada de +B
A fonte +B alimenta diversos blocos do televisor
Porém o principal bloco alimentado pela fonte +B é a saída horizontal
O bloco de saída horizontal é composto principalmente pelo FBT ou fly-back

O fly-back trabalha em conjunto com o transistor de saída horizontal (H.O.T)
O transistor de saída horizontal faz o chaveamento do fly-back em alta
frequência
Quando o transistor de saída horizontal faz o chaveamento, o fly-back
gera várias tensões
A principal tensão gerada pelo fly-back é a chamada alta tensão (HV)
A alta tensão pode variar de 24KV (24.000V) até 27KV, dependendo do
tamanho da tela do televisor
Essa alta tensão sai da chupeta do fly-back e é aplicada no tubo de imagem (CRT)
Abaixo podemos ver a espinha dorsal da corrente em um aparelho de TV

A corrente sai da fonte e vai para o fly-back
Em seguida a corrente passa para o CRT em forma de alta tensão aplicada pela
chupeta
Quando o CRT está com muito brilho, este drena uma grande quantidade de corrente
Porém quando o brilho está baixo, podemos dizer que uma corrente menor está
sendo consumida da fonte
Entretanto, independente do consumo, uma fonte chaveada deve sempre manter uma
tensão estável em sua saída
Dessa forma se uma fonte é de 115V, tanto se o brilho estiver no mínimo como se
o brilho estiver no máximo a tensão
deve continuar em 115V
Sendo assim, ao medirmos a tensão na saída da fonte devemos encontrar sempre
115V, a menos que a fonte esteja com defeito
Por exemplo, pode acontecer de ao medirmos a fonte notarmos que com brilho baixo
encontramos 115V
Porém ao aumentarmos o brilho a tensão cai para 80V, fazendo com que o quadro na
tela fique reduzido,
podendo até chegar a apagar totalmente a tela
Nesse caso a fonte estar com defeito, sendo mais provável que o defeito esteja
ligado ao sensor de corrente
da fonte que será estudado mais a frente nesse curso
Podemos notar que da fonte também saem diversas outras tensões
Essas tensões alimentam o circuito vertical, o RGB, osciladores e outros
circuito de baixa tensão
O estágio RGB é o estágio de vídeo que fica na plaquinha do CRT
Alguns televisores retiram essa fonte da fonte principal, enquanto que em outros
a fonte do RGB vem do fly-back
Análise da fonte
Antigamente as técnicas de análise de uma fonte de TV eram um pouco diferente
dos dias atuais
Tomemos com exemplo caso abaixo onde o aparelho não utilizava fonte chaveada
Quando havia um curto no transistor de saída horizontal quase sempre o
transistor da fonte também
entrava em curto
Com isso o fusível principal de entrada do televisor também queimava
Hoje em dia não podemos mais raciocinar dessa forma
Como os aparelhos de TV da atualidade trabalham com fontes chaveadas, quando
ocorre um curto no transistor
de saída horizontal não ocorre a queima do fusível de entrada
A fonte simplesmente desarma
Nesse caso ao medirmos nos terminas do capacitor grande encontramos algo entre
150 ou 300V
Mas na saída da fonte do outro lado do chopper não encontramos tensão
alguma
É comum em casos como esse que alguns técnicos comecem a análise pelo lado
primário da fonte,
procurando por resistores abertos, capacitores em fuga ou mesmo substituindo
circuitos integrados
Na verdade o correto seria começar a análise pelo lado secundário, pois é mais
provável que exista
algum curto bloqueando a fonte
Teste do transistor de saída horizontal
Em primeiro lugar devemos retirar o televisor da tomada
É recomendável que esse teste seja feito com multímetro analógico
Caso ainda não tenha um, recomendamos que adquira, pois o ideal é ter um
multímetro digital e outro analógico
Os multímetros digitais são muito bons para medir tensões com exatidão, porém na
prática
não tem se mostrado eficientes para teste de diodos e transistores
Os multímetros analógicos são muito bons para detectar curto em semicondutores e
também para verificar
variações rápidas de tensão
Os multímetros analógicos também tem a vantagem de ter baixo custo
Deve-se medir o transistor de saída horizontal na escala ohmica de 10x
Se o multímetro tiver uma escala de 100x é melhor
Primeiro coloque a ponta vermelha do multímetro no pino do meio e a ponta preta
no pino da direita

Depois inverta as pontas e observa o ponteiro do multímetro
Geralmente para o tipo de defeito apresentado não é necessário medir a base do
transistor
Estamos procurando saber se existe algum curto entre coletor e emissor, pois é
esse tipo de curto
que costuma fazer a fonte desarmar

Se nos dois sentidos a resistência for a mesma, existe uma suspeita de curto no
transistor
Nesse caso retire o transistor e meça fora do circuito
Se continuar a mesma resistência nos dois sentidos, o transistor deve ser
substituído
Não se esqueça de juntamente com o transistor de saída
horizontal, trocar também o capacitor snubber, aquele de 1600V que vai no
coletor
Caso contrário corre-se o risco do transistor de saída horizontal entrar em
curto novamente
Note que nessa primeira análise evitamos a retirada do transistor do circuito
simplesmente para medi-lo
O transistor somente foi retirado do circuito para confirmar a suspeita de curto
A retirada de componentes do circuito para ser medido é não é uma boa prática,
pois toma tempo do técnico
e deixa a placa de circuito impresso com má aparência
Por isso recomendamos durante esse curto utilizaremos análise de circuito e
raciocínio, evitando assim a
retirada desnecessária de componentes do circuito
Até a próxima aula
Prof. Moisés F. Pereira