Curso de relojoeiro

Aula de amostra
 

Cuidados


Não abra relógios enquanto você não tiver chegado ao final do curso. Existem diversos riscos, desde riscos de inutilizar o relógio piorando o seu estado até riscos para você mesmo.

Atenção: A mola do relógio acumula muita força e deve ser desmontada com cuidado. A mola de um pequeno relógio de pulso mecânico pode pular no seu rosto e causar ferimentos. A mola de um grande relógio de parede acumula uma força bem maior e pode causar ferimentos maiores. Por isso é importante conhecer as técnicas e ter cuidado.

Metodologia de ensino
Existem diferentes  formas de ensinar técnicas de conserto de relógio. Vamos adotar aqui a forma mais simples possível, sempre dividindo o mecanismo em partes, explicando cada uma delas passo a passo. Adotaremos uma linguagem de fácil compreensão, porém sem deixar para trás nenhum conceito importante, sendo ao final do curso o aluno terá apreendido o máximo possível sobre conserto de relógios.


O movimento

 

O mecanismo do relógio é toda a parte mecânica responsável fazer o relógio funcionar. No mundo da relojoaria o termo técnico utilizado é movimento. Dessa forma quando um relojoeiro se refere a um mecanismo de um determinado relógio é comum que ele o chame de movimento.

Basicamente o movimento de um relógio tem dois lados, sendo que o lado de baixo, o lado mais complexo onde fica o mecanismo de corda e o balanço e o lado de cima, onde fica o ponteiro, também chamado de dial.

                                       

Não se importe se estiver complicado e se não entender o mecanismo da primeira vez. Durante o curso iremos repetindo o mecanismo várias vezes e de diversos ângulos até que você tenha total compreensão do mesmo.


Como funciona um relógio


Abaixo vemos um desenho geral do movimento.
 



                

Dê um olhada geral no mecanismo e tente imaginar o funcionamento, antes de ler as linhas seguintes.

Se achar complicado, não se preocupe pois iremos desmembrar o desenho para melhor compreensão.

É assim que faremos durante todo o curso. Primeiro mostraremos uma visão geral do problema e depois desmembramos e mostramos por etapa de diversos ângulos até que tudo seja compreendido.

Vamos imaginar o mecanismo com um  lado de força e outro lado de freio.


Primeiro vamos ver o lado onde está a força.

                                       

Note que eliminamos do desenho a parte do escapamento e as demais rodas, deixando apenas a primeira roda e a roda central, juntamente com o mecanismo de corda.

Somente essa parte do desenho já é capaz de movimentar os ponteiros.

Então para que serve o restante do mecanismo ?

A outra parte serve para regular o movimento do relógio.
Se a outra parte a mola iria desenrolar muito rapidamente, e a corda não duraria nada.

Para melhor compreensão, imagine o conjunto de escape como se fosse um freio.

É claro que o conjunto de escape é algo muito complexo e será estudado profundamente durante o curso, mas no momento pense nele apenas como se fosse um freio regulador.

 


                                                             


De uma lado fica a mola principal, gerando força para fazer girar o ponteiro.

De outro lado fica o balanço, atuando como força

Até aqui concluímos que a roda principal, onde está a mola em conjunto com segunda roda (também chamada de roda central) já são suficientes para rodar o ponteiro de horas. As demais rodas tem apenas a função de regulagem de velocidade, pois elas levam até o escapamento e depois ao balanço que por sua vez não leva a lugar algum.


Abaixo vemos uma figura mais realística para melhor compreensão dos desenhos estudados.

Partimos da roda 1, onde está guardada a força da mola, passando para a roda 2 que tem ligação com o ponteiro e em seguida pelas rodas 3 e 4 até chegar na roda de escapamento que por sua vez se liga a palheta que se liga a roda de balanço.
 
                                       

 

 


Abaixo vemos 2 modelos diferentes de escapamento.

Escapamento tradicional

                                               


Escapamento Omega-Daniels do tipo coaxial

                                               


Abaixo podemos ver exemplo de roda de balanço.

O balanço não faz sequência com nada, ou seja, não vai a lugar nenhum.
Podemos assim dizer que roda de balanço é o final da linha quando falamos em termos de mecanismo.

                                                                    

O balanço está ligado á roda de escape. Podemos imaginar o balanço com uma espécie de freio que pode ser ajustado.

Por exemplo se a a roda de balanço fosse retirada do sistema a engrenagem toda ira girar muito rápida e descontrolada.

Relógios automáticos

Os relógios automáticos são assim chamados porque dá corda por si mesmos.
Para isso um peso é utilizado, sendo que o peso se movimenta sempre que o usuário movimenta o braço.  

Abaixo podemos ver o peso, chamado de peso oscilante.


                                         




Continua quase tudo igual.


O que muda em um relógio automático ?

Somente muda o sistema de dar corda.

O pino de corda é eliminado, sendo que o pino fica apenas para acertar a hora.

No lugar do sistema de corda pelo pino, surge o automático, conforme podemos ver a seguir.


                                             

O peso oscilante se movimenta quando o usuário mexe o braço ou pelo balanço do corpo.

Em seguida o movimento fazer girar as engrenagens através de várias engrenagens e o movimento aproveitado dá corta na mola principal através da cremalheira.

Note que existem catracas.
A explicação para a existência das catracas é simples. Note que o peso pode girar tanto em um sentido como em outro. No momento que o peso gira ao contrário poderia tirar corda da mola ao invés de dar.
As catracas somente giram em um sentido único, por isso evitam esse problema.
 



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